A criatura Kitsch

Kitsch é o estilo pretensioso e sem qualidade. Cópias toscas aplicadas a despropósito, são a marca do kitsch.

Verkitschen traduz-se por trapacear, vender uma coisa em lugar de outra.

A parolice, a burla, a falta de qualidade e o pretensiosismo do burlão, são o domínio do burguês: o mundinho da feira.

O mundo kitsch é o mundinho feirante, o dito “mercado”, o habitat do tal feirante chamado burguês.

A criatura Kitsch

Um burguês é um pilha galinhas, um simples e pacóvio ladrão. E, por isso, tenta roubar inclusivamente a imagem que usa. O burguês quer parecer o que não é.

O burguês tenta vender-se como vende a mercadoria da feira: pela burla, fazendo passar o lixo por algo útil.

Observamos o burguês a tentar ser uma cópia da boçal nobreza medieval. A cópia kitsch dessa figurinha é ainda pior que o execrável original.

Das vontades aos actos, o burguês é a criatura kitsch: o tosco pretensioso, que mais não é do que uma porcaria feirante de péssima qualidade, que tenta passar por algo com valor.

Apresenta-se como a mais útil das criaturas, quando é, apenas e só, um reles ladrão feirante.

Pela burla o burlão tenta vender a sua própria imagem. Actua com ele próprio como actua com o lixo que vende na feira.

Apresenta-se como mais uma mercadoria a ser impingida, pela burla, à população. O burlão é, ele próprio, uma burla de si mesmo.

Kitsch, o faz de conta dos parolos

Quando o parolo burguês tenta fazer de conta que não o é, demonstra o quão parolo é.

O mundinho burguês é o mundinho do faz de conta kitsch, do parolo.

Faz de conta que o boçal burguês é um nobre medieval com castelos; faz de conta que o boçal burguês é um desportista com automóveis desportivos; faz de conta que o boçal burguês é culto com obras de arte…

Quando rouba o burguês acredita que consegue roubar também a condição do roubado, e faz de conta que pertence àquilo que roubou.

Vergonha burguesa

De faz de conta em faz de conta, nota-se que o burguês têm vergonha de si mesmo.

Essa vergonha, de si mesmo, é revelada nessa necessidade, tão burguesa, de fazer de conta que é outra coisa qualquer. O burlão tem dificuldade em aldrabar-se a si mesmo.

Condição burguesa

De faz de conta em faz de conta, de kitsch em kitsch, o burguês revela o que é.

A criatura kitsch, como todos os demais objectos kitsch, é pretensiosa e sem qualidade.

O burguês é a criatura que não passa da condição de “coisa de feira”.

A quinquilharia kitsch

A quinquilharia de rico é o arsenal kitsch, do boçal burguês.

Dos calhaus que brilham (diamantes) às chapas amarelas (ouro), passando pelos objectos desproporcionais (casas, barcos…) e afins parolices da plebe feirante, o kitsch é a marca do burguês.

Fedor burguês

O glorioso burguês é a criatura kitsch, do mau gosto da plebe má, do lixo da imundice da feira, da parolice dessa ralé feirante.

Não deixa de ser divertido observar que o abjecto feirante, o tosco analfabeto que burla, o execrável pilha galinhas, também não gosta do fedor que emana dele próprio, e tenta disfarçar que é outra coisa qualquer.

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